SAL NA SOPA, LUZ NA ESCURIDÃO
"Assim brilhe a luz de vocês..."Mateus 5.14
O sal, para dar sabor, precisa estar na sopa. A luz, para iluminar, precisa brilhar nas trevas. Infelizmente, o sal fica, muitas vezes, no saleiro. Isto é, os cristãos ficam dentro das quatro paredes da igreja, em vez de dar sabor à "sopa" da vida, no dia-a-dia, na escola, no trabalho, nos relacionamentos etc. A luz brilha na igreja, onde já existe bastante luz. Mas, a luz precisa iluminar as trevas.
Meu querido grãozinho de sal ou raiozinho de luz, Deus colocou você em seu emprego, não somente para ganhar dinheiro; naquela escola, não somente para estudar; naquela vizinhança não apenas para morar, mas sim, para ser sal na "sopa" e luz nas trevas.
Minha intenção não é, de forma alguma, despertar qualquer sentimento de culpa em ninguém. O que eu gostaria, sinceramente, é compartilhar com cada leitor, a importância de sermos referenciais neste mundo insosso e escuro. E é aqui que Deus chama a família para atuar.
Você que mora, por exemplo, em Belo Horizonte, já parou para pensar que a sua casa representa um grão de sal em sua vizinhança? Quem mora ao seu lado direito? Eles conhecem a Jesus? E ao lado esquerdo, que tipo de dificuldades estão passando? Quantos filhos existem naquela casa, cuja família vive gritando, discutindo e sendo ouvida por todos? Existe outra família cristã na rua onde você mora? Quando foi a última vez que você convidou alguma dessas famílias para jantar em sua casa? Quando a sua vizinha ficou doente, você a visitou no hospital? Quando aquela família, do quarteirão ao lado, perdeu o seu filho num acidente,
...Você apareceu lá para "chorar com aqueles que choravam"?
Não me leve a mal, mas gostaria de lhe perguntar mais uma coisa:
- Por que, Deus colocou sua família na rua, no bairro, na cidade, no estado, no país onde vocês moram?
- Para ser luz e sal na intensidade e na quantia certas.
Este conceito de sal e luz tem quase dois mil anos. É conhecidíssimo entre os cristãos, mas minha preocupação consiste em perguntar por que somos tão vagarosos em realmente ser sal e luz? Na maioria das vezes, o crente, como grãozinho de sal, não sabe como "dissolver-se e se integrar-se na sopa", isto é, não sabe se relacionar com o meio ambiente ou com a sociedade em que vive. Usando palavras bem francas, posso dizer que a grande maioria não sabe relacionar-se com os incrédulos. Chegam a ter medo deles.
Tenho observado que, quase sempre, quando um incrédulo que vivia nas trevas se converte, ele perde, dentro de um ou dois anos a capacidade de se relacionar com seus colegas não-crentes. A razão disto é que ele mergulha em uma "cultura evangelical" com suas regras, tradições, manias e preconceitos, perdendo assim o brilho e o sabor espontâneos.
Há um provérbio que vale a pena ser lembrado: "Sem contato, não há impacto". A falta de compreensão e de ensino sobre o significado do que é ser sal e luz, tem deixado o cristão sem contato com o mundo. Se o sal não cair na sopa, obviamente, não haverá impacto. Se a luz não tiver contato com as trevas, não iluminará nada.
Creio firmemente que a família evangélica brasileira, na sua maioria, perdeu o contato com o mundo. Ela está no mundo, mas não compreende as implicações de estar no mundo. Tem enfatizado mais o que é não ser do mundo, sem entrar em maiores considerações sobre como salgá-lo ou iluminá-lo. Deixe-me dizer, em minha opinião, algumas razões pelas quais deixamos de ser luz e sal na terra:
1- A falta de compreensão do significado do que é ser sal e luz;
2- A compreensão inadequada do sentido da afirmação de Paulo: "fiz-me tudo para com todos" (1 Coríntios 9.22);
3- A confusão que se faz quanto a "estar no mundo, mas não ser do mundo";
4- A falta de contato para gerar impacto;
5- As "tradições", as manias e os preconceitos da igreja evangélica sem qualquer base bíblica;
6- A desobediência do cristão às prioridades do Reino de Deus.
- Meu amigo, você tem sido luz e sal?
- Você considera a ordem de Jesus prioridade em sua vida?
- Você, médico, por que é médico? Você, professor, por que é professor? E você, advogado, por que é advogado? É óbvio que essa é a sua profissão, o seu "ganha-pão", mas enquanto está medicando, ensinando ou advogando, qual é seu objetivo primeiro? É ser "um grão de sal na sopa" e "uma luz na escuridão"?
Talvez, a este ponto você já esteja dizendo:
- Pastor, tudo isso de ser sal e luz é muito poético, mas é muito teórico! Por favor, dê alguma dica de como podemos, de forma prática, ser luz!
Ótimo! Vou, então, dar algumas sugestões para você e sua família praticarem o ato de "salgar e iluminar" em seu dia-a-dia:
a) Visualize o Espírito de Deus pairando sobre sua vizinhança. Nunca podemos nos esquecer de que levar pessoas para Jesus Cristo é obra do Espírito Santo. Nosso Senhor nos disse: "Os campos estão brancos para a ceifa" (João 4.35). Há pessoas que buscam respostas. Algumas moram perto de você e já estão sendo tocadas pelo Espírito Santo. Deus o conduzirá a essas pessoas se você estiver em busca delas.
b) Comece a orar por alguém que o Espírito Santo colocar em seu coração. Se não tiver nenhuma pessoa em mente, peça-a ao Espírito Santo. Leve-a, diariamente, diante do trono de Deus em oração. Peça-lhe uma oportunidade para construir um relacionamento, mesmo que, no início, seja superficial.
c) Estabeleça um contato inicial. Deus conhece os corações e mostrará como localizar as pessoas certas. Os relacionamentos sociais são os meios pelos quais poderemos identificar as pessoas que Deus já preparou. À medida que você começar a se relacionar com seus vizinhos, alguns serão responsivos; outros, não. Não desista.
d) Estabeleça um relacionamento crescente. Isto quer dizer que você deve começar a construir uma ponte de amizade. Peça aDeus que o ajude a conhecer seus vizinhos. Procure saber seus nomes, seja amigável, bom ouvinte. É bom ter alguns assuntos em mente, especialmente nos primeiros contatos. Por exemplo: passatempos favoritos, times de futebol, atividades da família, profissões, reportagens da atualidade etc (seu propósito é começar a construir uma ponte de amizade).
e) Convide as pessoas para irem à sua casa. Crie um ambiente informal. Por exemplo: petiscar uma sobremesa, tomar um chá, um cafezinho ou até mesmo participar de uma refeição. Que tal um churrasco no quintal?
f) Cultive interesses comuns. Procure saber pelo que seus vizinhos se interessam. Se, por exemplo, você gosta de pescar, pergunte se o seu vizinho também gosta. Se descobrirem esse interesse em comum, que tal planejar irem juntos, em um sábado, para pescar, levando os filhos? Há mil opções; portanto, seja criativo.
g) Plante a semente com o propósito de ceifar. Isto exige oração e sensibilidade às necessidades de seus amigos. A amizade lhe dará oportunidades para comunicar o Evangelho e dar seu testemunho pessoal. Tome cuidado, pois você será tentado a descarregar sobre ele toda a mensagem de uma só vez. Resista! Crie nele uma sede (lembre-se: você é sal e sal gera sede).
Por outro lado, não queira se mostrar um super-homem, ou uma mulher maravilha. Somos humanos. Lembre-se de que seu lar, seu relacionamento com seu cônjuge e com os filhos falará muito. Porém, não somos perfeitos e, desde que estejamos buscando soluções para nossos problemas, nossas fraquezas podem comunicar mais do que nossas vitórias. O cristianismo não é um guarda-chuva que nos protege de todas as intempéries. O que nossos vizinhos precisam ver é um Deus atuante em nossas vidas, mesmo quando atravessamos tribulações.
Ser sal e luz, então, é viver nosso cotidiano em comunhão com o Pai, aplicando os princípios que ele deixou registrados em sua Palavra. Além disso, também devemos saber explicar a razão de nossa fé. E assim, nossos lares podem se tornar um centro evangelístico, onde as pessoas encontram a graça e o amor de Deus.
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