O QUE FORMA A IDENTIDADE DE UM CRISTÃO
Diversos segmentos da sociedade possuem marcas que de alguma forma autenticam a sua existência, ou seja,há características muito peculiares para cada grupo social. Nesta perspectiva, quais serão os elementos que dão forma à identidade de um cristão? É exatamente sobre isto que o autor pretende discorrer neste estudo com base em critérios bíblicos.
O significado da palavra cristão
O termo cristão veio à existência como espécie de apelido pejorativo. Foi um nome aplicado pelos não-cristãos do primeiro século aos seguidores de Cristo, termo que pegou e passou a denominar todo aquele que diz professar sua fé em Cristo Jesus. .....O registro desta primeira aplicação está no livro de Atos 11.26. Hoje ainda este termo designa um verdadeiro crente em Cristo Jesus, semelhante ao seu uso original.
A identidade do cristão
O que qualifica cristão, certamente, não é uma nova etiqueta externa (como um novo apelido), mas a integridade, a disposição para amar a Deus acima de todas as coisas e ao seu próximo como a si mesmo. O cristão é alguém que obrigatoriamente já experimentou de modo genuíno o novo nascimento (Jo 3.3; I Jo 3.9). Entretanto, este novo nascimento não consiste somente um arrependimento (mudança de direção), mas tem consigo atitudes que naturalmente devem acompanhar a vida deste novo ser (Gl 5.22). Sendo um cristão um seguidor ou discípulo de Cristo, este deve ter a mente de seu Mestre (I Co 2.16). Ser cristão é crer em Cristo. Isto significa colocar nossa última esperança de vida em Cristo, o que nos exige voltar para ele todo amor e dedicação de que somos capazes. O ser humano que crê e ama assim e, portanto, segue Cristo de todo o seu ser pessoal e do mais íntimo de si mesmo, desafia-se a si mesmo com o seguinte pensamento: minha experiência de vida deve assumir uma atitude de imitação de Cristo em seu exemplo de vida, sobre tudo na prática do amor.
O local onde viviam os primeiros cristãos
Os primeiros grupos de cristãos não habitavam em ilhas ou desertos!Viviam em vilas ou cidades. Nas vilas, o comportamento diário era controlado pela rotina da necessidade, pelos ciclos do trabalho sazonal nos campos, pelos costumes vindos desde os antepassados e que eram transmitidos de pai para filho. Formavam, com grande impacto para o seu tempo, "comunidades de caráter". É bom lembrarmos que caráter significa identidade e implica de modo especial a identidade moral de cada pessoa. A identidade era questão de família e clã, e a honra da família era uma sanção poderosa afetando toda escolha. Agir de maneira que trouxesse vergonha para a própria família e para o membro importante dela era terrível! Não demorou, o movimento cristão se espalhou para além das vilas da Judéia e da Galiléia. É bem verdade que para se tornar um cristão, havia uma exigência da qual nenhuma pessoa poderia se isentar: a conversão. Esperava-se que o tornar-se cristão afetasse alguns dos fundamentais relacionamentos do indivíduo, como os valores e a percepção da realidade. Desta forma, os cristãos estavam habilitados a falar de sua iniciação para outras pessoas, de várias maneiras, como a morte e ressurreição com Cristo, o segundo nascimento, a adoção numa nova família de filhos de Deus, etc.
É bom que percebamos como é importante que nossa vida esteja em dia com todos os aspectos da existência cristã: social, moral, ético e espiritual, pois, assim como os primeiros cristãos, nos também seremos capazes de impactar vidas no mundo. Teremos autoridade para falar de um evangelho que transforma o indivíduo inteiro e as estruturas do mal. Um crente que tem experimentado a renovação diária, não se conformando (I Pe 1.14) com as paixões deste século presente, tem diante de si o desafio intransferível de marcar, influenciar e levar a mensagem de boas novas para aqueles que vivem na mesma sociedade.
Mostremos pelos nossos frutos(Mt 12.33) que somos. De fato, novas criaturas e verdadeiros seguidores do Cristo vivo, onde quer que nos encontremos!
A diferença que o cristão deve fazer
O ambiente em que o cristão está inserido pe de perversão, desamor, corrupção. Devemos reconhecer que há uma dificuldade bastante generalizada nas gerações, que encaminham para este tempo chamado de pós-modernidade, de assumir compromissos maduros. Esta é a geração do provisório, em que se está sempre à espera de algo novo. Contudo, é neste contexto que o seguidor de Cristo é convocado a testemunhar, lançando luzes de esperança numa realidade decadente (Mt 5.13-16).
O que as pessoas esperam de nós como cristãos? Por certo não é apenas saber que vamos dominicalmente à igreja, levando conosco a Bíblia debaixo do braço. As pessoas aguardam que vivamos de maneira a sustentar o discurso que temos, ou seja, que na prática evidenciemos que nossa fala não é vazia, mas é uma realidade de nossa vida. A verdade que clama por justiça e que é aliada do caráter íntegro deve estar continuamente nos lábios dos discípulos de Cristo (I Rs 17.24). .....Possivelmente aqui está uma das falhas da nossa geração cristã. A palavra integridade, que fora o marco dos cristãos por consecutivos, e que custou tão caro (a vida de milhares de pessoas), hoje está jogada ao descrédito, até mesmo na lama. Basta dar olhada nos governantes que se dizem cristãos e mesmo no meio de liderança evangélica.
Cabe ao cristão ser alguém que faça diferença no seu meio, que não se conforme com a indignidade e as injustiças sociais que são praticadas contra aqueles menos favorecidos,antes deve lutar por cultivar uma mente sadia , produtiva do bem, experimentando desta forma a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm12.2).
Conclusão
O cristão, além de ser alguém que ora (Mt 6.9) e lê as Escrituras Sagradas (Jo 5.39), que são adereços de alguém que busca uma comunhão íntima com o Pai, deve ser um promotor de bem-estar (Gn 12.2). No Antigo Testamento, benção significa bem-estar. A ordem de Deus, assim como o foi para Abraão no passado, para o cristão hoje é que sejamos uma benção, levando salvação num contexto onde as expectativas se esgotaram, onde não há mais esperanças. É por isso que ser um cristão autêntico, hoje, conduzido pelo espírito de Deus, continua sendo um desafio, como cristãos não podemos prescindir da perspectiva da fé. Faz-se necessário um encontro diário com o Deus que em Jesus de Nazaré nos convida a construir o reino, o que exige uma opção fundamental que orienta nossa vida. Cristo andou por toda parte fazendo o bem (At 10.38); por isso o identificou como filho de Deus. Nossa missão hoje é a mesma, isto é, ser um ativista do bem. É essa prática da bondade e do amor que nos identifica verdadeiramente como cristãos.
Assumamos o desafio de ser diferentes neste tempo, trazendo em nós as marcas do Senhor Jesus! Se assim não procedermos, se não fizermos a diferença, as pedras clamarão! Não deixemos que isto ocorra; vistamos a camisa da fé cristã.
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