O PACTO COM RAABE

Texto bíblico - Josué 2.1 - 6.27

O general Josué enviou espias a Canaã porque queria certificar-se de todos os detalhes antes de manobrar suas forças de conquista, para evitar uma cilada qualquer. O mandado divino para conquistar a terra prometida não significava, necessariamente, o abandono de todas as medidas que um chefe sábio e prudente teria que adotar. A fé ardente do povo israelita foi sempre combinada com melhores conhecimentos militares. Podemos afirmar com segurança que em nenhum momento da história bíblica encontramos Deus recompensando a ignorância humana. O livramento dos espias e a qualidade das informações que obtiveram mostram que essa manobra do exército de Israel contou com a proteção divina.

A lição na Bíblia - Josué 2

Vv. 1 - 7

Sitim não se refere a uma cidade, mas a uma região. Seu nome mais completo é Abel-Sitim, que significa "campo de acácias". Está localizada a leste do rio Jordão, nas planícies de Moabe, defronte a Jericó (Nm 25.1).
Os espias entraram na cidade disfarçadamente e bateram na casa de uma meretriz, que tinha seu alojamento sobre as muralhas de Jericó.Essa casa de prostituição era um lugar adequado para serem admitidos sem o reconhecimento do povo da cidade.
A prostituta Raabe foi encontrada pelos espias pela providencia de Deus. Com certeza Deus não estava interessado naquilo que ela era, mas no que chegaria a ser no meio do seu povo.A partir do contato com os espias, Raabe converteu-se numa fervorosa crente no único Deus verdadeiro. Sua vida e um testemunho das maravilhas que Deus naqueles que são sensíveis à revelação que ele faz de si mesmo.Alguns que tomam a atitude de se entregarem ao Senhor procedem do "pior" lado da vida (cf.1Co 6.9-11; Mt 21.32). A misericórdia do Senhor é sempre maior que o poder do pecado sobre a vida humana.
A entrada dos espias na cidade foi descoberta e o assunto chegou aos ouvidos do rei. Raabe os ocultou no terraço, debaixo de alguns molhos de cana de linho deixados ali para secar, e despistou os soldados que vieram até sua casa para capturá-los.
Ao entrar os soldados, Raabe destacou-se como uma mentirosa elegante e ousada. Confessou que efetivamente os dois homens foram à sua casa, mas declarou não saber de onde eram. Em seguida disse que eles partiram havia pouco tempo. Confiando em suas palavras, os soldados de Jericó saíram apressados, no percalço dos espias de Israel, pelo caminho do rio Jordão até os vaus.
O novo Testamento recomenda essa mulher não pela que proferiu, mas pela fé que demonstrou no poder de Deus (Hb 11.31). Se falta ela cometeu, a mesma deve ser julgada pelo contesto, pela história e pelo resto da narrativa. Raabe mentiu para não entregar os homens de Deus ao furor dos seus perseguidores; para não prejudicar a obra de Deus; e também para alcançar sua salvação e de toda sua família . Em nome de interesses mais elevados é admissível a falta que ela cometeu para com seu novo povo já condenado, e a favor de Deus e de sua causa. Nenhum outro compromisso é maior que aquele firmado com nosso Pai celestial. O grande mandamento da lei nos ensina; "Amarás ao Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma, e de todo o teu entendimento".(Mt 22.37).

Vv. 8-11

Após livrar-se dos soldados, Raabe foi aos homens escondidos, e entabulou com eles um colóquio interessante. Ela sabia que a cidade de Jericó estava condenada, e que os israelitas eram o povo escolhido de Deus. Suas declarações são extremamente favoráveis aos hebreus, e indicam a causa da amizade repentina com os espias. Ela queria obter a salvação para ela e para sua família no momento em que a cidade fosse atacada e conquistada. Estava convicta que o Deus de Israel é misericordioso com aqueles que o aceitam. Acreditava que ele poderia derrotar qualquer povo que lhe fizesse oposição. Na vida escura e trágica dessa mulher brilhou uma rápida centelha da verdade que em Israel havia um Deus superior a todos os deuses dos quais tinha conhecimento.
Raabe, e grande parte do povo pagão, acreditava que o Deus de Israel é Senhor em cima no céu e em baixo da terra. Na sua confissão de fé declarada que só o Senhor é Deus e não há nenhum outro que se compare a ele em força e poder (Dt. 4.39). .....Esta profissão de fé admirável que partiu de uma mulher de tão baixa condição social nos ajuda a compreender as tremendas palavras de Jesus contra os principais dos sacerdotes e anciãos do sinédrio. "Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus" (Mt 21.31). O objetivo final das manifestações divinas é levar homens e mulheres a temerem o seu nome para sempre. "O temor ao Senhor é uma fonte de vida, para o homem se desviar dos laços da morte" (Pv 14.27).

Vv. 12 - 16

Raabe manifestou mais que um mero conhecimento intelectual do Deus de Israel. Ela possuía fortes convicções pessoais sobre sua soberania. Sua fé, embora imatura, foi o que a salvou com todos os seus, porque despertou em sua vida o desejo de negociar com os espias. Ela queria identificar sua família com aquele povo favorecido pelo Senhor de toda a terra. Com firmeza, pediu aos espias um sinal seguro na qual pudesse confiar e esperar.O texto bíblico informa que os espias se obrigaram, sob juramento, a salva-la com sua família, quando a cidade fosse atacada e destruída. Eles ofereceram suas próprias vidas pelas de Raabe e seus queridos. Se eles perecessem os espias seriam culpados diante de Deus, testemunha de todo o acontecimento. Os dois valeram pelo cumprimento do contrato mais tarde, porque o mesmo foi selado com juramento e isso era muito sério naqueles dias.O segredo de Raabe foi essencial para que o pacto fosse cumprido.
A fé desta mulher pagã foi demonstrada no momento em que ela salvou a vida dos filhos de Israel. A recompensa pela fé em Deus foi imediata: Recebeu a segurança da salvação na destruição da cidade de Jericó. Você também precisa demonstrar o mesmo tipo de fé para alcançar a salvação de Deus, que já está presente no mundo, através de Jesus Cristo. Busque o reino de Deus e a sua justiça em primeiro lugar, e todas as outras coisas que você necessita lhe serão acrescentadas por ele (Mt 6.33). Deus é fiel no cumprimento de suas promessas, porque nele não há mudança nem sombra de variação (Tg 1.17).

Vv. 17 - 21

Os espias, ao partirem, declaram a intenção sincera de cumprir o juramento que Raabe os fez jurar. O cordão de fio de escarlata, uma espécie de amuleto, foi dado como prenda e símbolo de que a casa e seus moradores seriam respeitados pelos atacantes hebreus. O fio deveria estar atado à janela pele qual os espias desceram. Toda a família de Raabe precisava estar no interior da casa. O propósito da visita dos espias tinha que permanecer em sigilo absoluto. Se ela não cooperasse nesse ponto, eles estariam livres do juramento que haviam feito. Essas obras exigidas revelam a continuidade de sua fé e garantiram a salvação de toda a sua família.
A realidade de fé de Raabe foi demonstrada quando ela atou o cordão de escarlata à janela de sua casa. Sua atitude demonstra confiança no poder de Deus para salva-la juntamente com seus queridos. O cordão de escarlata na janela representa percepção espiritual de sua parte (vv.10,11); maturidade espiritual para confiar em Deus (vv. 12.13); espírito cooperativo para participar da obra de Deus (vv 14-21); e fé para esperar pela providência de Deus (v.21).
O escritor da Epístola aos Hebreus elogia Raabe em sua fé (Hb 11.31): e o apóstolo Tiago aprecia a obra de amor que ele faz com os exploradores de Israel (Tg 2.25).Raabe é um símbolo das nações pagãs que haviam de converter-se mais tarde ao Evangelho de Jesus Cristo. Sua vida ensina que vale a pena confiar em Deus. A misericórdia do Senhor é sempre maior que todo e qualquer estágio de depravação que você já atingiu em sua vida.

A lição na Vida

O pacto que os espias de Canaã fizeram com Raabe apresenta uma riqueza de detalhes que nos permite tirar lições preciosas para as nossas vidas.

1. O pacto com Raabe ensina que há espaço para os métodos humanos nas conquistas espirituais (v.1).Josué enviou os dois espias para reconhecerem a cidade, porque a sua fé deveria caminhar junto com a razão.A fé não é necessariamente irracional e passiva!

2. O pacto com Raabe ensina que a visão preconceituosa pode a operação da misericórdia de Deus na vida das pessoas (v.1). Se os espias não tivessem entrado na casa de Raabe, aquela prostituta dificilmente teria conhecida a misericórdia de Deus. Jesus Cristo não veio para chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento (Lc 5.32).

3. O pacto com Raabe ensina que a percepção espiritual é importante para a compreensão dos propósitos de Deus (vv.10,11). Pela manifestação de Deus em várias ocasiões Raabe compreendeu que ninguém poderia impedir seus propósitos. A falta de percepção espiritual pode leva-lo a lutar contra Deus por uma visão míope de sua vontade (At 5.33-42).

4. O pacto com Raabe ensina que maturidade espiritual é importante para nossa confiança no poder de Deus (vv. 12,13). Raabe abandonou seu povo, já condenado,e comprometeu-se totalmente com Deus com o povo de Israel. O cristão precisa estar preparado para dizer não a tudo que coloque em risco seu compromisso com Jesus Cristo (Lc 9.62).

5. O pacto com que Raabe ensina que o espírito cooperativo é importante para alcançarmos a salvação de Deus (vv. 14-21). Da mesma forma como Raabe cooperou com os espias também devemos cooperar com Deus para nossa salvação. O arrependimento e conversão genuína ao Senhor são pré-requisitos imprescindíveis para o perdão dos pecados (At 3.19).

6. O pacto com Raabe ensina que a fé é importante para recebermos todas as bênçãos espirituais de Deus (v. 21). Foi pela fé que Raabe e sua família não pereceram com os desobedientes de Jericó (Hb 11.31). Sem fé é impossível agradar a Deus. Ao nos aproximarmos do Senhor precisamos crer em sua existência e misericórdia para com aqueles que o buscam (Hb 11.6).

2. "... para vocês não serem julgados por Deus".

a. Temos a tendência muitas vezes de condenar nos outros aquilo que nós mesmos fazemos (Rm. 2: 1 - 6): "Portanto, és inescusável, ó homem, qualquer que sejas, quando julgas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu que julgas, praticas o mesmo.(....) E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade, contra os que tais coisas praticam.(....) E tu, ó homem, que julgas os que praticam tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?(....) Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te conduz ao arrependimento?(....) Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus,(...) que retribuirá a cada um segundo as suas obras".

b. Talvez por isso Deus condenará com a mesma medida (v. 2).

3. Vs. 2, 3, 4. Aqui aprendemos a importância de examinarmos a nós mesmos em primeiro lugar e depois ajudarmos nossos irmãos nos seus erros:

a. Gl. 6: 1- 5: "Irmãos, se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois espirituais corrigi o tal com espírito de mansidão; e olha por ti mesmo, para que também tu não sejas tentado.(...) Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.(...) Pois, se alguém pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo.(...) Mas prove cada um a sua própria obra, e então terá motivo de glória somente em si mesmo, e não em outrem;(...) porque cada qual levará o seu próprio fardo".

b. I Ts. 4:11: "e procureis viver quietos, tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo mandamos".